A periodização é uma excelente ferramenta de planejamento e estruturação do treino. Com ela, o professor pode atingir os objetivos desejados pelo aluno otimizando cada sessão de treinamento. A periodização é muito utilizada em atividades como a musculação, por exemplo, onde é possível trabalhar isoladamente as capacidades físicas e fazer o controle de carga em cada uma delas. Já no ambiente do Pilates, existe uma grande discussão entre os profissionais de como aplicar a periodização considerando a variabilidade de estímulos utilizados em uma mesma sessão de treinamento. As aulas de pilates oferecem um trabalho corporal geral, com a união de diversas capacidades física em um mesmo movimento. Desta forma, como planejar e montar a periodização de um aluno sem desconsiderar os princípios do método? O nosso objetivo agora não é apresentar um modelo pronto de periodização no método, mas sim ressaltar alguns pontos que devem ser considerados para isso e também sugerir algumas formas de trabalho. Considerando o modelo de periodização clássico, criado por Matveev, temos que definir os períodos chamados de macrociclo, mesociclo e microciclo. Sugerimos utilizar para o macrociclo e mesociclo as classificações utilizadas pelo modelo original. É possível encaixá-lo no método utilizando uma visão geral do treinamento. Macrociclo Período: – Preparatório (fase: básica ou específica) – Manutenção (fase: manutenção) – Transitório (fase: recuperação) Mesociclo – Incorporativo – Desenvolvimento – Estabilização – Recuperativo A dificuldade maior está em classificar o microciclo e as sessões. Com a maioria dos movimentos combinados, os exercícios do pilates não são feitos em grandes repetições e séries e também não são realizados igualmente ao longo do micro ou mesociclo.Um mesmo exercício, por exemplo, o swan, pode ser realizado de diversas formas: no cadillac com ou sem auxílio de molas, na cadeira com ou sem apoio da caixa, reformer na caixa, solo com ou sem acessórios, barril, etc. O fato de mudar o apoio para a realização do estímulo já gera um novo estímulo para o sistema neuromuscular. Para seguirmos os conceitos de adaptação neuromuscular e assim poder periodizar como no método clássico, seria necessário descaracterizar os modelos de aula do método pilates.Dessa forma sugerimos algumas formas de organizar esse período do treinamento. Podemos partir do princípio das variáveis de treinamento: intensidade, volume, freqüência, densidade e complexidade. Podemos trabalhar também definindo quais capacidades físicas e elementos fundamentais do pilates devem ser estimulados com prioridade e manter essa ordem até que haja adaptação neuromuscular satisfatória. Talvez seja necessário escolher alguns exercícios que atendem às necessidades do aluno e que será repetido dentro do mesociclo.Como é possível notar, não há consenso sobre periodização no método Pilates porque é uma tarefa muito difícil. São muitos pontos a serem considerados e muitos princípios a serem mantidos. Como você trabalha em seu studio? Como planeja o desenvolvimento da condição física de seus alunos? Esperamos sua contribuição nessa discussão.
ESCOLIOSE E O MÉTODO PILATES
O método Pilates é bastante reconhecido pela sua eficiente prevenção e recuperação de desvios posturais. Mas nem sempre todos os exercícios do método são aplicáveis. Em cada caso,deve-se analisar tipo, grau e causas do problema, para então decidir quais exercícios devem ser aplicados ou até se o método é indicado. A escoliose é um desvio postural caracterizado por inclinação, flexão e rotação das vértebras da coluna, obtendo forma tridimensional, formando um “S” ou um “C”. É um problema comum entre a população, sendo que grande parte dos praticantes do método apresentam escoliose. A escoliose pode ser de origem idiopática, neuromuscular ou congênita e se classifica em não-estruturada , estruturada transitoriamente e estruturada. Essas classificações devem ser cuidadosamente analisadas pelo professor ao iniciar as aulas de pilates com o aluno escoliótico. A escoliose não-estruturada apresenta leve curvatura e se pode observar correção durante a flexão de coluna e em decúbito É a mais fácil de ser trabalhada, pois ainda pode ser revertida. Neste caso, exercícios de estabilização de coluna e fortalecimento paravertebral e dos músculos do CORE são muito indicados, pois a coluna necessita de estabilidade. O alongamento de cadeia lateral também é importante, desde que trabalhado igualmente para os dois lados e sem sobrecarga. Exercícios de dissociação de membros e fortalecimento geral em decúbito dorsal são uma boa alternativa nesses casos. Na escoliose estruturada transitoriamente, o desvio surge de forma secundária à hérnia discal ou situações inflamatórias. A mesma metodologia da escoliose não-estruturada pode ser aplicada neste caso, porém deve-se, prioritariamente, respeitar o grau de inflamação originado por outro problema. A escoliose estruturada é aquela da qual não é possível reverter a deformidade. Pode ser hereditária ou causada por alterações no período embrionário. Neste caso, o trabalho deve focar-se no alongamento das estruturas envolvidas, fortalecimento de paravertebrais e CORE para que outras estruturas não sejam comprometidas. Evitar movimentos de flexão de coluna e inclinação lateral é importante para não aumentar o grau de curvatura da coluna. O método proporciona uma imensa variedade de exercícios para atingir um mesmo objetivo. Dessa forma, o Pilates é uma alternativa eficiente e motivante para os alunos. Sempre deve ser considerada a individualidade do aluno, conhecendo-o e respeitando suas possibilidades. Já discutimos este tema em nosso blog mas é sempre pertinente e gera muitas dúvidas entre os profissionais. E você tem opinião formada sobre este assunto? Qual sua forma de trabalhar com casos de escoliose? Viviane Vales
Resultados Avaliação Postural no Pilates
O propósito da postagem de hoje é mostrar um caso clínico verídico e falar sobre as modificações estruturais que o método Pilates pode realizar no corpo humano, principalmente na coluna vertebral. Sabemos que através da manobra de ativação do centro de força, multífidos, períneo e diafragma ativam o transverso do abdome e fortalecem toda musculatura estabilizadora. Essa é a base do trabalho no método Pilates, porém, esse não é o único objetivo em aula, pois pensando em alterações posturais, outras musculaturas podem estar em desequilíbrio. A seguir veremos o caso de uma aluna que, antes de iniciar as sessões de pilates realizou a avaliação postural. Esta cliente iniciou no método Pilates dia 21 de março de 2011, e desde então, realizou 3 sessões semanais, parando apenas 2 semanas de férias no período de dezembro. Aluna assídua, não faltava às aulas, facilitando o trabalho dos instrutores. A equipe que a atende, é formada por 3 profissionais, que se organizam através dos registros de aula. Principais queixas: · Dores na região direita da coluna torácica; · Dores no ombro direito; · Uma das barras da calça arrastava no chão; Vamos observar as imagens nas vistas anterior, posterior e lateral direita e esquerda antes e depois de 11 meses de prática de pilates, 3x por semana: Diante dessa análise, podemos observar que escoliose apresentada gerou diversas ações compensatórias. Sendo assim, foi traçado um plano de aula com objetivo de minimizar as compensações, diminuir dores e reorganizar a estrutura óssea através da ação muscular. Plano de aula realizado ao longo de 11 meses: – Fortalecimento do CORE através de dissociações; – Pelve neutra; – Crescimento axial estático e dinâmico; – Organização crânio-cervical e da cintura escapular; – Alongamento de todas as cadeias; – Mobilização de coluna, com ênfase em tóraco-lombar; – Estabilidade de pelve através de trabalhos de equilíbrio ou dissociações em bases instáveis; – Fortalecimento geral com ênfase em glúteos e abdominais; – Relaxamento através do trabalho de consciência corporal; Resultados obtidos Após o desenvolvimento da programação e sua aplicação por seis meses, a aluna já relatava diminuição de dores e percepção de melhora na postura. Após onze meses, já foi possível verificar os seguintes resultados: – Simetria de ombros; – Crescimento axial; – Diminuição do Triangulo de Tales aumentado à direita; – Alinhamento de cristas ilíacas; – Pelve neutra em estática e em dinâmica; -Reorganização escapular; – Diminuição da protusão de ombros; – Diminuição da anteriorzação de cabeça; – Alinhamento das curvaturas fisiológicas da coluna, principalmente região lombar; – Fortalecimento muscular aumentado, permitindo a execução de movimentos instáveis e complexos; – Perda de medidas abdominais e aumento de medidas em MMSS e MMII; – Aumento da flexibilidade; O método Pilates, quando bem estruturado e bem aplicado, pode realmente melhorar a postura de um indivíduo, proporcionar aumento de força muscular e alívio de dores através da diminuição das compensações. O nosso trabalho é proporcionar a melhora da qualidade de vida das pessoas e o bem-estar. Dessa vez, missão iniciada com sucesso, mas sabemos que ainda temos muito pela frente… Um agradecimento especial as instrutoras da equipe que atenderam esta cliente.
PILATES E HIPERTENSÃO
A Hipertensão é uma patologia cada vez mais comum entre pessoas de todas as idades e é muito comum que indivíduos com este problema nos procurem buscando através do Pilates recuperar sua qualidade de vida, diminuir o stress, entre outros fatores relacionados à pressão arterial. Acredito que o Pilates pode ajudar muito este tipo de cliente alcançar estes propósitos, mas acredito também que alguns cuidados precisam ser tomados com relação à escolha dos exercícios para este público. Durante a atividade física se produzem mudanças na circulação sangüínea destinadas a prover um maior aporte de oxigênio aos tecidos que estão se movimentando. Este aporte maior se produz graças ao esforço do coração, devido a que este órgão aumenta o volume de sangue que envia ao corpo todo, uns 70 centímetros cúbicos de sangue por batida. Este valor, multiplicado por 70 batidas por minuto (a normal, em repouso) representa, aproximadamente, 5 litros por minuto. Mas durante o exercício esse volume pode chegar a se quintuplicar devido às mudanças que se produzem no organismo, por exemplo, o aumento da freqüência cardíaca. As necessidades metabólicas que surgem durante a atividade física são compensadas mediante adaptações do sistema circulatório central e o periférico, como o aumento da pressão arterial máxima e da freqüência cardíaca, a vasodilatação periférica e a local, e uma diminuição da pressão arterial mínima. O organismo contrai as artérias das regiões onde não se necessita um alto aporte de oxigênio, por exemplo, nas vísceras. E dilata ao máximo as zonas de esforço, dos músculos de pernas e braços, que requerem máximo aprovisionamento de oxigênio. Muitos índices de hipertensão podem estar relacionados a stress e ensinar às pessoas técnicas de gestão de stress eficientes, podem conduzir a uma redução do stress e a uma diminuição conseqüente da pressão arterial (McCaffrey et al., 2005) e o pilates, com suas metodologia consciente, pode desempenhar um papel importante nesta aprendizagem. Devido a semelhança de muitos aspectos gostaríamos de citar a tese de mestrado do prof Danilo Santaella, onde relacionou-se a prática do hatha yoga com a avaliação da pressão sangüinea em hipertensos. A conclusão foi que para os hipertensos, é importante associar exercício com o relaxamento como uma maneira de prevenir o estresse pois constatou-se que esse par diminuiu a sua pressão sanguínea.Dentro das práticas de pilates acabamos encontrando estes dois aspectos: o exercício e o relaxamento. Lembramos aqui alguns cuidados ao se prescrever exercícios para hipertensos, evitando estimular o aumento da pressão arterial e conseqüentemente o risco de ruptura de algum aneurisma durante a prática dos exercícios : Evitar descer a cabeça abaixo do diafragma respiratório. Evitar permanecer de uma forma prolongada com os braços acima da cabeça sem descanso. E da mesma forma, a elevação das pernas permanecendo de forma estática por um período longo. Muito cuidado com as mudanças rápidas de posições. Permita que o corpo faça os ajustes e adaptações calmamente. Apesar de não fazer porta da respiração do pilates cuidado com hiperventilações, expirações rápidas e forçadas e suspensão de respiração. Evite que o aluno tombe a cabeça para trás, sem apoio ou sem controle. Exclua da série ou pelo menos evite as posturas invertidas (em que a pessoa fica de cabeça para baixo). Esteja sempre atento a qualquer sintoma do seu aluno, perguntando e recebendo feedbacks incansavelmente, desta forma não haverá riscos. Outra sugestão que eu gostaria de deixar, (apesar de não conhecer) é da existência de um curso, realizado dentro do Incor (cito devido a seriedade de trabalho desta instituição) que trabalha de uma forma específica assuntos ligados ao coração, mas precisamente “Pilates na Reabilitação Cardíaca” É promovido pela Unidade Clínica de Insuficiência Cardíaca e agradeço se alguém que conhece mais detalhes sobre o curso nos comunique. Fonte auxiliar: http://www.saoluiz.com.br/revista_conteudo.aspx?idConteudoItem=17&idConteudo=9 http://psiyoga.blogspot.com/2008/10/yoga-e-hipertenso-arterial.html http://www.hospitaldocoracao.com.br/
Lesões do Ligameno Cruzado Anterior e Pilates
O ligamento cruzado anterior do joelho (LCA) encontra-se conectado à porção póstero-lateral do intercôndilo do fêmur e também à porção anterior à espinha da tíbia. Tem como função estabilizar, controlar a cinemática e prevenir rotações e deslocamentos anormais da articulação do joelho. Desta forma, é o LCA que trabalha evitando a rotação tibial, a angulação varo-valgo e, principalmente, a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur. Observando a ação do LCA, devemos fazer algumas considerações antes de escolher o repertório de exercícios a serem realizados. Exercícios em cadeia cinética fechada tem menos probabilidade de gerar uma translação anterior da tíbia, pois a força é dissipada entre várias articulações dos MMII. Em cadeia cinética aberta, apenas uma articulação receberá a sobrecarga total. Além do que, neste tipo do exercício, o quadríceps, os músculos posteriores da coxa e os glúteos são ativados reduzindo as forças de rotação da tíbia, que estariam presentes nos exercícios de cadeia cinética aberta (PEPPARD, 2001). Assim, considera-se extremamente importante o fortalecimento de ísquiostibiais, glúteos e quadríceps para prevenção e tratamento de lesão de LCA. As extensões completas de joelho devem ser evitadas, pois ocorre maior solicitação mecânica do ligamento. A realização do trabalho proprioceptivo será indispensável, uma vez que estimulamos os mecanorreceptores geramos uma resposta mais rápida em situações inesperadas, que muitas vezes envolvem torções, por exemplo, pisar em buracos, cair de escadas, etc. O alongamento dos rotadores externos do quadril também é importante, pois quando encurtados geram a rotação externa do fêmur, tensionando o LCA (Hewet. T, 2010). A análise postural será indispensável para identificar qual o mecanismo que lesionou o LCA. Sendo um geno valgo, por exemplo, deve-se seguir as orientações para isso, como alongar e fazer liberação miofascial da banda íliotibial, bíceps femural, pectíneo e grácil e fortalecer tensor da fáscia lata e rotadores externos. É interessante liberar as fáscias das estruturas encurtadas para fortalecer na sequência seus antagonistas, evitando a tensão oposta. Exercícios indicados dentro do método Pilates: Footwork com apoio dos pés do balance disc ( com suporte da prancha de saltos); Ponte sobre a bola com dissociação de MMII (flexionando e estendendo os joelhos); Agachamentos com auxílio da barra torre do Cadillac e também utilizando acessório de equilíbrio; Side kick series; Alongamento de MMII passivo estático com as alças de pés do reformer (unilateral) Liberação miofascial com o rolo; Devemos sempre tomar muito cuidado ao lidar com patologias do joelho, pois é uma articulação de grande sustentação corporal e suas disfunções geram compensações por toda a estrutura corporal.
Pilates e Corrida
Pensando em começar a correr ou caminhar? O Pilates é o seu maior aliado! Uns quilinhos a mais podem incomodar nossa autoestima e dar o pontapé inicial para a prática de caminhadas e corridas. Correr e caminhar não são tarefas tão simples quanto parecem e merecem o devido preparo para praticar. Além de distúrbios do metabolismo, o sobrepeso e a obesidade geram importantes estresses nas articulações. Coluna, quadril, joelhos e tornozelos sofrem com o peso extra que precisam suportar para nos manter em pé e nos locomover. Sabe-se que as caminhadas são indicadas para acelerar e promover um processo de emagrecimento saudável, porém é necessária a realização de um trabalho que dê o preparo corporal inicial, protegendo articulações periféricas e centrais, prevenindo lesões e aumentando a consciência corporal. O Pilates será responsável pela estabilização das articulações, através de exercícios de fortalecimento, de equilíbrio e alongamento. Esse trabalho auxilia na prevenção de torções de tornozelos e joelhos, artrite, tendinites e fascite plantar, por exemplo. Suas articulações e músculos devem estar fortes para aguentar o impacto de uma caminhada, a instabilidade gerada na coluna (evitando compressões interdiscais) e proporcionar uma boa mecânica do movimento (sem compensações). Além disso, dentro do repertório do método Pilates, temos exercícios que facilitam o processo de aprendizagem de uma boa técnica de corrida, como por exemplo: Lunge na Cadeira Scooter no Reformer Footworks no Reformer Russian na Reformer Exercícios de mat pilates: Single leg Kick Dissociação de membros inferiores Shoulder Bridge Prep Por isso, consulte um professor de educação física antes de iniciar seu programa de caminhadas ou corrida e prepare-se para sua meta com a ajuda do método Pilates.